
A famosa Batalha de Adwa, 1 de Março de 1896, ficou conhecida como Primeira Guerra Ítalo-Etíope o primeiro conflito envolvendo o Reino da Itália e o Império Etíope, ocorrido entre dezembro de 1895 e outubro de 1896. Importante lembrar que apenas recentemente a escravidão de africanos fora erradicada do continente americano e que o continente africano encontrava-se àquela altura quase todo sob o domínio de potências europeias, sendo Libéria (fundado por africanos livres oriundo Estados Unidos da América) e a própria Etiópia os únicos territórios ainda não colonizados. O episódio é a famosa Batalha de Adwa, onde os etíopes esmagam as forças italianas e conseguiram assegurar a independência e soberania de seu país. Adwa ficaria marcada para ambos os lados, sendo para os etíopes exemplo de orgulho nacional e de todo o povo africano, em África e na diáspora, e para os italianos símbolo de vergonha e infâmia de seu exército, numa época em que se acreditava abertamente na superioridade do europeu branco frente ao negro africano. A Etiópia só iria sofrer outra tentativa de colonização pela própria itália, 40 anos depois, em pleno regime fascista, numa ação plenamente condenada pela opinião pública internacional, que já começava a ser opor às ideias colonialistas.
A imperatriz Taytu Bitul pareceu ser a principal arquiteta da batalha, pois tinha seu próprio contingente de cerca de cinco mil soldados e 100 mulheres, incluindo a princesa Zewditu Menelik. Ela assumiu o comando das operações provisórias e médicas durante a batalha e se posicionou como uma poderosa força moral. Mais importante ainda, ela comandou a operação para impedir o acesso militar italiano a todas as fontes de água potável. Essa estratégia funcionou a favor do imperador e os etíopes prevaleceram na batalha. No caso da segunda vinda dos italianos (1935), a imperatriz Menen, esposa do imperador Haile Selassie I, admitiu o papel exemplar da imperatriz Taytu quando disse: “Farei como a augusta imperatriz Taytu fez em seu tempo. “ (Lancaster New Era, p.9)
Menelik II, após essa vitória que grande repercussão internacional lhe proporcionou, chega a 1897 tendo sua nação finalmente ingressa no cenário político dos países. Com a França e Reino Unido delimita a fronteira com a Somália. Realiza inúmeros tratados de comércio e de concessões, sempre com proveito para o Tesouro Etíope.Por meio de impostos elevados, e tarifas diversas, consegue fortalecer e aparelhar o exército, e assim consolidar seu domínio nos territórios mais afastados e pouco desenvolvidos das fronteiras. Em 1901 consolida as fronteiras do Sudão, com a Inglaterra e, em 15 de maio de 1902, assina um tratado com esse país sobre a política do Nilo.

Na foto acima, no centro superior, o Imperador Menelik II e a Imperatriz Taitu. Imediatamente abaixo deles, da esquerda para a direita, Ras (mais tarde Rei) Mikael de Wollo, Rei Tekle Haimanot de Gojjam e Ras Wolde Giorgis Aboye (mais tarde Rei de Gondar). De cima para baixo à esquerda, Ras Mengesha Yohannes Príncipe de Tigrai, Ras Makonnen Wolde Mikael de Harrar (pai do Imperador Haile Selassie I), Ras Sebhat Aregawi de Agame (que desistiu de sua rebelião para se juntar a Menelik contra os italianos) e Ras Alula Engida (conhecido como Abba Nega e governador de Hamasein deslocado pelos italianos). De cima para baixo à direita, Dejazmatch Balcha Saffo (conhecido como Abba Nefso), Dejazmach Demissew Nesibu, Fitawrari Hapte Giorgis Dinagde (conhecido como Abba Mela). Na parte inferior da esquerda para a direita após o Leão Conquistador de Judá, estão Ras Tessema Nadew, Dejazmatch Bahta Hagos de Akale Guzai (que cruzou para o lado etíope dos italianos na Eritreia e foi morto na preparação para a batalha), e Ras Wolde Mikael Solomon, senhor hereditário de Hamasein que também cruzou da Eritreia governada pela Itália para lutar ao lado das forças etíopes).
Fonte: https://www.infoescola.com/historia/primeira-guerra-italo-etiope/
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